Na Quinta-feira, o professor deu a aula por encerrada pouco depois das dez da noite. Não comprara bilhete. Estava cansado e carregava uma mochila às costas. Mas postado em frente à porta principal da Faculdade, ainda hesitava. Em meu redor, rapazes e raparigas estavam sentados em pequenos ajuntamentos, sobre os degraus. Fiquei ali por um instante, desemaranhando com mais vagar que o habitual os fios entrelaçados dos auriculares. Queria respirar por um instante aquela tensão premonitória com que aguardamos as longas noites de boémia. Quando me senti satisfeito, resolvi-me a ir e prossegui.
Vogava contra a corrente. Eu, descia a alameda; eles, subiam: conjuntos maiores e menores, compostos de rapazes e raparigas, murmurando diálogos na distância ou cantando. Traziam na mão as suas garrafas, já deslacradas, com que antecipavam a festa. As meninas capturam toda a minha atenção transiente: vinham extensamente maquilhadas, agitando cores berrantes em torno do corpo, exibindo a redondez do busto em decotes mais descidos que o habitual. Os rapazes podiam ser eu, nós, outrora. Parecia um anoitecer entre fantasmas, tornando a aparecer distintas na minha mente as memórias de outros anos.
Como o daquele em que, caminhando num grupo assim, escalei a alameda, precocemente etilizado por um uísque velho, tendo feito desaparecer a garrafa nos confins dos arbustos que ladeiam o edifício da Faculdade antes de penetrar no recinto. Como aquele outro em que, tendo ficado para o final da festa, quando os primeiros alvores vêm dispersar os gatos pardos e alguém começa a varrer o manto de plástico que cobre o chão, me veio cair nos braços uma rapariga chorosa, que logo tratei de consolar. Como esse em que a mão que eu tanto queria apertar, morreu delicadamente na minha, num afago quente e húmido, enquanto eu a conduzia para a segurança de um recanto a salvo da multidão.
À medida que caminhava, ouvia dentro de mim, cada vez mais perceptível, o apelo a ir com eles, a tomar corpo com a turba, a amanhecer tardiamente no feriado. Só posso dizer que não respondi a este apelo. E, ao contrário do que pensava, fui feliz.
Vogava contra a corrente. Eu, descia a alameda; eles, subiam: conjuntos maiores e menores, compostos de rapazes e raparigas, murmurando diálogos na distância ou cantando. Traziam na mão as suas garrafas, já deslacradas, com que antecipavam a festa. As meninas capturam toda a minha atenção transiente: vinham extensamente maquilhadas, agitando cores berrantes em torno do corpo, exibindo a redondez do busto em decotes mais descidos que o habitual. Os rapazes podiam ser eu, nós, outrora. Parecia um anoitecer entre fantasmas, tornando a aparecer distintas na minha mente as memórias de outros anos.
Como o daquele em que, caminhando num grupo assim, escalei a alameda, precocemente etilizado por um uísque velho, tendo feito desaparecer a garrafa nos confins dos arbustos que ladeiam o edifício da Faculdade antes de penetrar no recinto. Como aquele outro em que, tendo ficado para o final da festa, quando os primeiros alvores vêm dispersar os gatos pardos e alguém começa a varrer o manto de plástico que cobre o chão, me veio cair nos braços uma rapariga chorosa, que logo tratei de consolar. Como esse em que a mão que eu tanto queria apertar, morreu delicadamente na minha, num afago quente e húmido, enquanto eu a conduzia para a segurança de um recanto a salvo da multidão.
À medida que caminhava, ouvia dentro de mim, cada vez mais perceptível, o apelo a ir com eles, a tomar corpo com a turba, a amanhecer tardiamente no feriado. Só posso dizer que não respondi a este apelo. E, ao contrário do que pensava, fui feliz.