Nunca fui atreito aos beijos de circunstância social ou aos seus simulacros. Este tempo em que todos os beijos podem ser de Judas, entregando-nos a hostes de médicos, enfermeiros e burocratas vários, empenhados em demonstrar nas nossas pessoas a eficácia do sistema de saúde e a preparação do governo, vêm confirmar-me com brilho. Sempre me pareceu que essa breve união dos rostos dissimulava a realidade do meu profundo isolamento dentro da massa, com a ambiguidade de um gesto que, servindo para expressar a maior intimidade, serve também para expressar o mais supérfluo dos encontros. O vírus não vem isolar-nos ou desumanizar-nos: isolados, desumanizados, nós estamos, como inevitável condição urbana, em que o outro se apresenta mais facilmente como incómodo ou armadilha; agora, simplesmente, o gesto exterior harmoniza-se com a disposição do espírito – o outro realça-se mais facilmente como desconhecido, balançando entre a insignificância e o perigo – assalta-nos, em todo o esplendor, a repugnância da massa, da qual, para todos os demais, somos também nós um dos inumeráveis braços.
A Lotaria na Babilónia
«Como todos os homens da Babilónia, fui pró-cônsul; como todos, escravo; também conheci a omnipotência, o opróbio, o cárcere.»
terça-feira, 3 de março de 2020
segunda-feira, 2 de março de 2020
VI. Do amigo assistente
Estive em Coruche, na tarde de Domingo, na apresentação do seu primeiro livro de poemas. É um bom amigo, de muitos anos, um dos poucos que me resta: estou a duas, três companhias de distância de uma irremediável solidão.
A um tempo, fiquei curioso e satisfeito por ver que tem um sítio onde tornar, onde há gente que se recorda de o ver pequeno, dos seus primeiros sucessos escolares, de trocar o seu nome com o do irmão mais velho. Quando eu, na tarde de um Domingo, quiser apresentar o meu primeiro livro, não terei onde tornar. Não haverá muitos para contar uma história da minha infância, para notar uma constante da minha personalidade, para lembrar um diminuto êxito que, na sua singeleza, sugeria um futuro grandioso.
Apresentou o livro apenas poucos dias depois de saber que daria aulas na Clássica. É a confirmação tardia e quase incidental dos seus méritos académicos. Tenho a certeza que será feliz; e tenho a certeza de que se tivesse recusado o convite, permanecendo instalado no mesmo emprego medíocre, teria denegado a sua própria razão de ser.
Agora, cruzarmo-nos-emos no átrio da Clássica muitas vezes. Ele vindo das suas aulas; eu indo para as minhas. Ele para as dar; eu para as receber. Ou não nos cruzaremos de todo. Talvez as nossas vidas caminhem em sentido divergente, em contramão com o destino que planeámos. Talvez lhe nasçam, da nova função, novas companhias.
Seja o que for, é inescapável a evidência de que o seu caminho passaria entre as portas da frente da Faculdade de Direito. Novamente, ela revela-se como o entroncamento das nossas biografias.
Quando sairei, verdadeira, definitivamente dela?
V. Dos brasileiros
Aí estão, sentados às mesas, afáveis e loquazes. Desejo, sinceramente, ser como eles. Gostava de ter essa facilidade em estender uma mão, em abrir um sorriso que não fosse só de cordialidade, mas de franco regozijo com a presença desse outro que me fala e que, uma vez por outra, me ouve. Mas não me é possível: ou já nasci assim ou, em alternativa, algum facto perdido nos anos da minha infância o explica.
Falam-nos de uma possibilidade maravilhosa: de um continente de distâncias incomensuráveis, cujos caminhos nos tiram dezenas de horas, porventura dias, apenas no trânsito de uma cidade a outra. Este vem do sul; aquele do centro; aquele do nordeste; vêm de todos os pontos cardeais; mas desconhecem mutuamente as suas regiões nativas, como se tivessem vindo de países distintos, como se a língua não vibrasse o mesmo verbo, como se não tivessem cruzado o mesmo oceano, como se a sua pátria não se compreendesse sob um só nome, como se para nós não pertencessem todos a uma só categoria.
Como nós nos encantamos com a vastidão, que nos parece uma sementeira de aventuras, também eles se encantam com o nosso tamanho económico, tragável, tipicamente europeu. Quando lhes digo que este nosso Portugal tem a cintura esguia de uma bailarina, que nem um par de horas é preciso para se estar no estrangeiro, na Espanha, exclamam com a boca, com os olhos, com todo o rosto a sua surpresa. Quando lhes observo que, no tempo de uma aula de licenciatura, pouco menos de uma hora, o avião que descola em Lisboa aterra em Madrid, prometem comprar bilhetes, porque isto lhes parece o perfeito antídoto para esse cansaço do país-continente.
Têm algumas, poucas queixas. Não conheciam, por exemplo, a face fria do Atlântico. Mas esta queixa tem remédio, assevero-lhes: à medida que se progride para o sul, também o mar aquece, transportando um laivo do sol de África. Faço-lhes notar que o Algarve não é distante, como nada aqui o é, e há comboio.
Tudo isto se passou no espaço de uma espera, meia hora, mais ou menos, no término da qual o professor não veio, como é costume. Preveni-os contra a recalcitrância do docente nesta matéria: faltará muitas mais vezes e, se se dignar a aparecer, só depois de se fazer esperar, como uma noiva das eras antigas. Sempre sem avisar previamente, como se impõe.
Cruzar um oceano valeria bem conhecer a excelência nas práticas de ensino. Mas irão antes conhecer as tradições da casa.
domingo, 14 de outubro de 2018
IV. Da mítica
Na Quinta-feira, o professor deu a aula por encerrada pouco depois das dez da noite. Não comprara bilhete. Estava cansado e carregava uma mochila às costas. Mas postado em frente à porta principal da Faculdade, ainda hesitava. Em meu redor, rapazes e raparigas estavam sentados em pequenos ajuntamentos, sobre os degraus. Fiquei ali por um instante, desemaranhando com mais vagar que o habitual os fios entrelaçados dos auriculares. Queria respirar por um instante aquela tensão premonitória com que aguardamos as longas noites de boémia. Quando me senti satisfeito, resolvi-me a ir e prossegui.
Vogava contra a corrente. Eu, descia a alameda; eles, subiam: conjuntos maiores e menores, compostos de rapazes e raparigas, murmurando diálogos na distância ou cantando. Traziam na mão as suas garrafas, já deslacradas, com que antecipavam a festa. As meninas capturam toda a minha atenção transiente: vinham extensamente maquilhadas, agitando cores berrantes em torno do corpo, exibindo a redondez do busto em decotes mais descidos que o habitual. Os rapazes podiam ser eu, nós, outrora. Parecia um anoitecer entre fantasmas, tornando a aparecer distintas na minha mente as memórias de outros anos.
Como o daquele em que, caminhando num grupo assim, escalei a alameda, precocemente etilizado por um uísque velho, tendo feito desaparecer a garrafa nos confins dos arbustos que ladeiam o edifício da Faculdade antes de penetrar no recinto. Como aquele outro em que, tendo ficado para o final da festa, quando os primeiros alvores vêm dispersar os gatos pardos e alguém começa a varrer o manto de plástico que cobre o chão, me veio cair nos braços uma rapariga chorosa, que logo tratei de consolar. Como esse em que a mão que eu tanto queria apertar, morreu delicadamente na minha, num afago quente e húmido, enquanto eu a conduzia para a segurança de um recanto a salvo da multidão.
À medida que caminhava, ouvia dentro de mim, cada vez mais perceptível, o apelo a ir com eles, a tomar corpo com a turba, a amanhecer tardiamente no feriado. Só posso dizer que não respondi a este apelo. E, ao contrário do que pensava, fui feliz.
Vogava contra a corrente. Eu, descia a alameda; eles, subiam: conjuntos maiores e menores, compostos de rapazes e raparigas, murmurando diálogos na distância ou cantando. Traziam na mão as suas garrafas, já deslacradas, com que antecipavam a festa. As meninas capturam toda a minha atenção transiente: vinham extensamente maquilhadas, agitando cores berrantes em torno do corpo, exibindo a redondez do busto em decotes mais descidos que o habitual. Os rapazes podiam ser eu, nós, outrora. Parecia um anoitecer entre fantasmas, tornando a aparecer distintas na minha mente as memórias de outros anos.
Como o daquele em que, caminhando num grupo assim, escalei a alameda, precocemente etilizado por um uísque velho, tendo feito desaparecer a garrafa nos confins dos arbustos que ladeiam o edifício da Faculdade antes de penetrar no recinto. Como aquele outro em que, tendo ficado para o final da festa, quando os primeiros alvores vêm dispersar os gatos pardos e alguém começa a varrer o manto de plástico que cobre o chão, me veio cair nos braços uma rapariga chorosa, que logo tratei de consolar. Como esse em que a mão que eu tanto queria apertar, morreu delicadamente na minha, num afago quente e húmido, enquanto eu a conduzia para a segurança de um recanto a salvo da multidão.
À medida que caminhava, ouvia dentro de mim, cada vez mais perceptível, o apelo a ir com eles, a tomar corpo com a turba, a amanhecer tardiamente no feriado. Só posso dizer que não respondi a este apelo. E, ao contrário do que pensava, fui feliz.
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
III. Da aula magna
Vocês conhecem-me. Ou talvez não. Não importa. O que importa é que um destes dias fui à Clássica para assistir à primeira aula do meu Mestrado. Acabei a beber copos. Se me conhecessem, saberiam que o desenlace seria forçosamente este.
Emergi do Metro da Cidade Universitária pouco depois das seis da tarde. Os restos da aula magna do Marcelo escoavam-se em trajes negros e colares de Doutor, desde a entrada frontal da Reitoria até à Faculdade de Direito, num fiozinho estreito e intermitente. Sobre o novo empedrado da Alameda, erguera-se um palco. Uma multidão de veteranos e caloiros agitava-se na sua sombra, electrificada por aquele ruído a fazer as vezes da música. Com um copo de cerveja na mão, tudo parece uma sinfonia de Mozart.
Como pretendia dar-me algum trabalho intelectual antes da aula - que só iniciava às oito e meia - fui instalar-me na biblioteca. Remodelaram a entrada. Puseram um vidro no lugar da antiga passagem e abriram caminho à direita de quem entra, de modo que agora se sai e se entra sob escrutínio frontal dos funcionários. Entro com alguns livros e uma banana nas mãos. Comento as obras recentes e as futuras na biblioteca com o funcionário do balcão e encaminho-me para o piso inferior. Quando faço a ronda em busca de uma mesa, uma das funcionárias instaladas junto aos cubículos das fotocopiadoras alerta-me para que não posso comer a banana dentro da biblioteca. Eu digo-lhe logo que não estava a comer a banana. Ela, para retorquir, reformulou a regra: afinal, eu não podia entrar com a banana. Vocês conhecem-me. Ou não. Exasperei-me. Pedi-lhe que me mostrasse onde estava escrita essa proibição. Ela puxou uma das brochuras que elucidam sobre as regras de funcionamento da biblioteca e apontou-me uma linha, em que, na verdade, apenas se proibia comer e beber dentro da biblioteca. Retorno ao meu argumento original. Ela insiste. Eu insisto. Ela desiste. Eu prossigo, exibindo a banana para quem a quisesse ver. Entretanto, por um acaso, percebo que tenho que sair da biblioteca. Vejo que a tal funcionária a preceder-me na escadaria que conduz ao piso de cima. Vejo-a a dirigir-se ao balcão. Foi pedir diligências ao funcionário-chefe. Não faço mais nada, atalho. Meto-me na conversa e digo ao velho que, como bom jurista, pedi que a funcionária me mostrasse a regra, mas que, não se preocupasse, eu iria sair e aproveitaria para deglutir a banana entretanto. Tudo acaba em pacífica cavaqueira, comigo e com o homem a selar-nos as nossas boas relações e a jovem a ter que se contentar com a derrota. São muitos anos, mesmo muitos, os que levo disto. A veterania não é só uma palavra.
Em quase dez anos de Faculdade, foram raríssimas as ocasiões em que proclamaram vazios os barris no Velho e no Novo às seis e meia da tarde. Aconteceu nesse dia. A veteranada, a caloirada, os forasteiros haviam conjuntamente sorvido a cerveja até à última gota. Tive que me socorrer das médias do Novíssimo, vendidas ao dobro do preço. Fui, então, encostar-me ao parapeito que dá vista para a Alameda. Dava vista para a multidão vibrante e ouvido para a barulheira festiva. Acabei lá no meio algumas horas depois, como é evidente. Sou um homem de tradições.
II. Do beijinho
De ano a ano, o alfarrabista de Letras vem instalar-se durante uma semana no terreno inóspito da Faculdade de Direito. Coliga umas mesas em forma de meia-lua ao pé do corredor para a biblioteca e sobre elas empilha as suas preciosidades empoeiradas, exibindo capas esbatidas pelo tempo, estampadas com nomes de mortos. Títulos de ficção, claro, e de não-ficção, mas de qualidade, não porcarias jurídicas. Um oásis nas cercanias de tanto papel de embrulho. Deparei-me com a venda no regresso da biblioteca e imediatamente me pus a escrutinar a mercadoria. Enquanto os meus olhos percorriam lombadas, o meu par de ouvidos atentos seguia a pista de um diálogo nas proximidades. Uma jovem docente da casa, doutorada de fresco, com aparições ocasionais nos nossos televisores, referia em conversa com um antigo Director da Faculdade aquele que, no seu douto entendimento, é um dos flagelos da sociedade moderna. «Não há nada mais ridículo», dizia ela, mais ou menos, «que o som do beijinho quando as pessoas se cumprimentam». E elaborando esta asserção espantosa, continuou, dizendo: «A maior parte das pessoas já não beija verdadeiramente a cara da outra. Aproximam a cara, e já está. Porque é que continuam a fazer o som do beijo?» Deveras. Enfio o “General Theory” do Keynes debaixo do braço - comprei-o a dez euros - e parto, meditabundo.
Aula de mestrado. O professor é aquilo que se poderia classificar como um homem que faz apartes muito compridos. Começa a falar da matéria, até ao momento em que se perde por caminhos na floresta. Quando retorna ao trilho das migalhas, já consumiu meia hora a dissertar sobre assuntos interessantíssimos que nada têm a ver com o programa. O objecto da disciplina, técnico, dilui-se em um conjunto de opiniões genéricas sobre os privilégios da burocracia nacional e a malevolência das grandes empresas. De repente, encontramo-nos apenas um grau acima de uma conversa na esplanada. Impossível acompanhar estes raciocínios, quanto mais não fora porque não entregou programa aos alunos, nem sugeriu a correspondente bibliografia. Sequestra-nos na sala antes da hora de início e até depois da hora de fim, e nem sequer com o intuito de nos servir a teoriazinha geral, porque já se anuncia que tudo virá a ser, tão só, uma descrição maçadora, e extensamente entrecortada pelas anedotas do expositor, do regime jurídico português. As colegas, sabidas, aproveitam a boleia da conversa para aparentarem interesse e conhecimento de causa. São vividas. Falar compensa. Às vezes, compensa mais do que estudar. A ars inveniendi sempre foi moeda corrente entre estas vetustas paredes.
Saio. Nove e meia. A penumbra da noite caiu como uma cortina sobre a alameda. Clarões eléctricos, a espaços, cercavam-na, como uma cerimónia das velas. Encaminho-me para o Metro, pensativo. Aquilo do ruído oscular ainda me está a moer o juízo, acreditam?
I. Da praxe
Reabro a porta, como estudante, depois das seis da tarde de cada dia. Atravessei o átrio na Segunda-feira, dando passos cautelosos sobre um chão borrado de farinha empastada, que três raparigas tentavam afanosamente limpar. Regressei na Terça-feira, após o primeiro dia de aulas, após a praxe oficial, após o corredor da morte e a cerimónia das velas.
Sento-me a uma mesa do Velho, de rosto voltado para a porta que abre à esplanada. Essa abertura é uma soma de vultos negros, compondo uma fila mais longa que o costume para ir tirar cerveja ao balcão. O que observo é aquele selecto grupo de veteranos – olho-os a todos com secreta ironia, espreitando sobre os meus nove anos de Clássica – que insiste em prolongar a praxe para lá do primeiro dia.
Desde a porta vêm a desfilar as veteranas, com o relevo de um seio a emergir na camisa branca, debruada a negro por um colete. Vêm com os olhos escondidos atrás de umas lentes escuras, como se a humanidade não fosse digna de uma vista nua, e passeiam o ar de arrogância de quem se julga senhora do mundo, só porque se é senhora da praxe. O que é a vida senão contentar-se com estas pequenas ilusões? Já no semblante dos veteranos se vai desenhando a bonomia ébria que termina inevitavelmente num charco do próprio vómito, no fracasso de todas as esperanças de seduzir a melhor caloira.
Subo para a minha sala. É a sala 11.06. Os brasileiros já lá estão, sentados nas carteiras inamovíveis, esperando antes da hora. Alimentam uma imagem tão favorável quanto falsa da pontualidade portuguesa, que julgam regular-se por um padrão europeu. Mas à Europa não pertencemos; daí existir Brasil. Não lho faço notar. Imito-os e sento-me. Suspeito, sei, quando relanceio discretamente a sala em volta, que o professor não virá. Ainda no dia anterior, o Frederico, que cruzou por mim no Velho, me avisou: «É a primeira semana». E os professores - ou alguns deles - aprovam o dito infame de que «a primeira aula não se dá e a última não se recebe», julgando prolongar no tempo, com a sua abstenção, um costume divertido da academia, porventura tão antigo quanto Bolonha – a universidade – e que seria sacrílego quebrar.
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Uma colega dirige-me uma pergunta. No uso impessoal das formas verbais, denuncia-se: trata-me por você. Não o doce você da pronúncia brasileira, pois tão nativa era quanto eu. Uma náusea me desponta. Uma flexão de reverência pelos meus provectos vinte e sete anos? Ou a aplicação de uma película fina, mas não subtil, de formalidade altiva, a que julga apropriada a acompanhar as conversas entre diplomados? Não estou à altura de descrever as saudades que tenho de receber um fresco “tu” no rosto, uma segunda pessoa do singular a talhar com desenvoltura cada verbo, como nos primeiros dias de Faculdade, em que ninguém cercava de cautelas a incipiência dos nossos dezoito anos.
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À passagem da estação ferroviária de Entrecampos, contemplo à distância um desses jovens trajados, a velar por uma veterana de expressão repugnada, que vomitava para o respiradouro do Metro. Acode-me uma genuína, madura satisfação, a de quem vê o universo corroborar os seus preconceitos.
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